Taxa fixa ou variável no crédito à habitação: qual é a melhor?

Um das despesas que a grande maioria dos portugueses tem é o crédito à habitação. Os últimos estudos mostram mesmo que Portugal é dos países da Zona Euro onde existe uma das maiores percentagens de cidadãos a demonstrarem vontade em comprar casa própria. Este objectivo não passa apenas de um sonho, mas de uma realidade que os portugueses tentam alcançar, se bem que para isso, uma boa parte das pessoas se vê obrigada a contrair um crédito à habitação para fazer face ao elevado custo inerente à aquisição de casa própria.

No entanto, a crise económica veio levantar alguns problemas à concessão de financiamento dos bancos a privados, sobretudo pelas elevadas e constantes variações que o mercado sofre. E, perante as incerteza das taxas de juro e do desenvolvimento do mercado imobiliário e financeiro, há cada vez mais detentores de crédito à habitação a colocarem uma pergunta essencial: devo manter uma taxa variável ou uma taxa fixa? A resposta a esta questão só pode ser dada depois de compreendido o funcionamento do mercado em si.

Como os bancos emprestam dinheiro
Um dos primeiros entendimentos que tem de se retirar é de como se processam os empréstimos bancários. Em termos gerais é muito simples. Para a aquisição de casa com recurso ao crédito, a entidade recorre a dois pratos da balança, os valores da taxa fixa (Swap) e os valores da taxa variável (Euribor). A cargo do cliente fica a escolha por uma ou por outra taxa de juro, consoante queira assegurar o pagamento de um crédito fixo, ou pretenda que a importância mensal a liquidar “ande ao sabor do mercado”.

Na actual conjuntura económica, a Euribor a seis meses, a mais utilizada no crédito à habitação, está nos 0,96 por cento, enquanto que a Swap a 20 anos, a referência neste tipo de créditos, está nos 3,86 por cento. Logo, no presente momento, a opção mais vantajosa é, de longe, a de optar por um financiamento a taxa variável. Contudo, rapidamente a situação se pode inverter e, no caso da Euribor, não haverá como estabelecer um limite, estando o cliente obrigado a liquidar os valores determinados por esta taxa de juro.

A melhor escolha depende do mercado
Desde a entrada da Euribor no mercado imobiliário, só por uma vez o seu valor superou a percentagem da Swap. Esse período foi em 2008, altura em que se enfrentava a maior crise financeira de que há memória desde a Segunda Guerra Mundial. À excepção dessa fase negra do mercado, nunca a taxa fixa tinha sido, ou voltou a ser, mais benéfica do que a taxa variável. O mais próximo que estiveram uma da outra foi em Setembro de 2005, altura em que a Swap a 20 anos e a Euribor a seis meses eram de 3,62 e 3,17 por cento, respectivamente.

Fazendo as contas a números concretos, um cliente com um crédito efectuado desde 2000 até agora, com taxa variável (Euribor a seis meses), poupou de 8 a 13 por cento, em comparação com alguém que tivesse optado por uma taxa fixa (Swap a 20 anos). Isto não contando com a amortização, que é inferior a cinco por cento ou inexistente em grande parte dos créditos a taxa variável, ao passo que nos de taxa fixa é, em média, de dois por cento. Quer isto dizer que a entrada inicial e quantia liquidada mensalmente foram substancialmente mais baixas, exceptuando as prestações dos seis meses seguintes à alta de 2008. Assim, é fácil de perceber o que pode ter poupado alguém que tenha optado por deixar a sua taxa de juro variar.

No entanto, nem tudo “são rosas” e pode haver factores que desencadeiem a subida em flecha da Euribor a seis meses. Se, por exemplo, se registar uma súbita crise no mercado energético e não houver crescimento económico, aumenta a inflação e também a taxa de juro variável. O mesmo acontecerá caso se verifique uma situação de grande crescimento nos próximos anos. Porém, neste último cenário, haverá igualmente lugar à actualização de vencimentos e, consequentemente, mais hipóteses económicos para enfrentar o pagamento de empréstimos. Já na primeira situação, quem possua um crédito com taxa de juro fixa sairá largamente a ganhar.

Apresentados os prós e contras de taxas de juro fixas e uma variáveis, cabe-lhe a si ponderar o risco de cada uma. A decisão deve ser tomada consoante esteja disposto a suportar juros fixos, mas mais elevados para já, ou prefira poupar agora e tolerar hipotéticas subidas no futuro. Em qualquer dos casos, não se esqueça de verificar de que forma a sua escolha se irá reflectir no orçamento mensal, tendo sempre em conta que o valor a pagar por todos os créditos que detém, nunca deve ultrapassar os 30 por cento do dinheiro de que dispõe todos os meses.

1 Comentário em “Taxa fixa ou variável no crédito à habitação: qual é a melhor?”

  1. joão
    30 Março, 2010 - 11:58

    Olá,
    Efectivamente é uma decisão dificil de tomar e com probabilidades de ganhos muito baixas.
    O essencial não é a taxa variável ser superior à fixa, mas sim permanecer assim tempo suficiente para compensar os excessos anteriores.
    Com Paises com taxas de endividamento como as verificadas actualmente duvido que as taxas de juro aumentem significativamente para que a modalidade taxa fixa apresente vantagens. Os impactos sociais seriam enormes e os governos teriam que intervir rapidamente para controlar o colapso social.
    Fica aqui uma série de artigos sobre o dilema Taxa fixa ou Variável.
    Cumprimentos


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