Arrendamento é opção para quem não consegue crédito

O arrendamento vai continuar a ser uma aposta ganha para as mediadoras. A crise financeira e a restrição ao crédito por parte das instituições financeiras estão a levar cada vez mais portugueses a recorrer a esta solução, como admitem as imobiliárias em declarações à Agência Financeira.

A verdade é que o arrendamento já pesa 50% do mercado total. «Aqueles que não conseguem obter crédito mas que precisam de casa terão de optar pelo arrandamento. Os proprietários que necessitem de mudar de casa, mas que estejam com dificuldades em vender o seu imóvel actual podem optar pela permuta ou pelo aluguer do seu imóvel recorrendo eles mesmo ao arrendamento de outro imóvel mais ajustado às suas necessidades», afirma o director-geral da Remax, Manuel Alvarez.

Por isso mesmo, os preços poderão vir mesmo a subir ainda este ano. A procura e a zona são dois factores-chave que ditam os valores dos imóveis no mercado.

«Tudo depende das zonas, da oferta existente e da procura. Há mais procura mas também há mais proprietários a considerar colocar os seus imóveis para arrendamento porque como não os conseguem vender essa surje como uma alternativa para encaixar rendimentos enquanto não surgem compradores», admite o responsável. Fonte: AgenciaFinanceira.

Caixa Arrendamento

Chegou o Caixa Arrendamento, o primeiro fundo de investimento imobiliário para arrendamento (FIIAH). Lançado pela Caixa Geral de Depósitos, com uma dotação inicial de 30 milhões de euros, destina-se exclusivamente aos clientes desta instituição.

Criado ao abrigo da Lei do Orçamento do Estado para 2009, o fundo pretende ser uma alternativa para as famílias com dificuldades em suportar os encargos dos empréstimos à habitação. Permite a alienação do imóvel, com opção de recompra, e a possibilidade de permanência na habitação através da realização de um contrato de arrendamento.

Paulo Sousa, da Direcção de Financiamento Imobiliário da Caixa, disse ao PÚBLICO que o FIIAH pretende ser “mais uma solução que a CGD disponibiliza aos clientes que têm dificuldades em cumprir os encargos dos empréstimos à habitação”. Mas visa, também, dinamizar o mercado de arrendamento urbano, utilizando para isso um conjunto de imóveis que já são propriedade da instituição.

Para Paulo Sousa, a actual descida das taxas Euribor – que já caíram mais de dois por cento desde o máximo de Outubro passado – não retira interesse ao Caixa Arrendamento, considerando que, em muitos casos, os aderentes poderão obter uma renda mais baixa que o total dos encargos inerentes ao empréstimo à habitação.

O responsável lembra ainda, a título de exemplo, que o detentor de um empréstimo à habitação tem encargos com seguros de vida e multirrisco, condomínio, para além de outras despesas, que deixa de ter num contrato de arrendamento. Os FIIAH beneficiam de um conjunto de medidas fiscais atractivas, como a possibilidade de dedução das rendas em termos de IRS.

O primeiro FIIAH a arrancar em Portugal é um fundo fechado, de subscrição particular (assegurada por cinco sociedades do grupo Caixa), e a dotação de 30 milhões de euros pode ser reforçada de seis em seis meses, através de aumentos de capital, como prevê a Portaria n.º 1553-A/2008, já em vigor.

Sobre o número de imóveis que poderão ser comprados pelo fundo, Paulo Sousa apenas admite que deverão “atingir algumas centenas nos próximos meses”. Segundo contas do PÚBLICO, a dotação inicial do fundo permite a aquisição até 300 imóveis, se o valor médio for de 100 mil euros, ou de 200, se o valor subir para 150 mil euros cada.

De referir, no entanto, que para este fundo também vão ser transferidos imóveis que a CGD já possui, resultado de execuções por incumprimento, mas que o responsável do financiamento imobiliário não quantificou, alegando tratar-se de um departamento que não está sob o seu controlo. A CGD é líder em Portugal na concessão de crédito imobiliário, possuindo 700 mil contratos activos.

O fundo da CGD é constituído por 10 anos, prazo que poderá ser prorrogável por períodos de cinco anos e será gerido pela Fundimo. Os maiores bancos privados a actuar em Portugal têm excluído a possibilidade de avançar com os FIIAH, mas alguns especialistas admitem que se o crédito malparado continuar a subir poderão surgir mais iniciativas do género.

fonte: jornal Público.

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