Dicas para comparar créditos à habitação
Set 27, 2011 informações
O mercado do financiamento está actualmente saturado e conseguir crédito à habitação tornou-se uma tarefa bastante complexa e demorada. Por isso, conhecer os truques para obter o melhor negócio é extremamente útil para quem deseja adquirir casa própria mas não abdica das suas economias sem antes estudar atentamente todas as possibilidades, uma atitude (certa) que deveria ser apanágio de todos quantos pedem financiamento. Nesse sentido, deixamos-lhe agora oito conselhos para que possa avaliar por si mesmo as propostas que se encontram disponíveis em Portugal através de uma comparação que tenha em linha de conta os critérios implícitos em cada um dos tópicos.
– Informe-se devidamente sobre a duração das taxas promocionais que usualmente são anunciadas como as grandes vantagens do crédito à habitação. Na maioria dos casos estas bonificações aplicam-se por curtos períodos de tempo e nem sempre compensam o dinheiro poupado inicialmente quando se comparam com outros financiamentos. Assim, tenha cautela com este aspecto e analise o empréstimo como um todo e não apenas pelo quão atractivo são algumas das taxas nos primeiros meses;
– Tenha especial atenção à Taxa Anual Efectiva (TAE), cuja periodicidade pode ser de fixa ou variável, e que vem agravada de comissões, bem como outros encargos, mas possui a (boa) vantagem de poder ser negociada livremente entre a entidade credora e o cliente. Logo, procure estabelecê-la no montante mais baixo possível e não hesite em apresentar percentagens que tenha recebido de outras instituições. “Jogue” com esse aspecto a seu favor e retire o máximo dele, pois a TAE é na prática o indicador que irá ter mais peso no financiamento, uma vez que comporta todas as despesas associadas (administrativas, spread, taxa de indexação, etc.) e reflecte a quantia total do crédito subscrito;
– Analise as condições de amortização com sentido crítico, à semelhança do que deve efectuar com todas as restantes questões relativas ao crédito à habitação. Contudo, olhe para esta possibilidade concreta com muita atenção, pois se no futuro tiver oportunidade de abater o capital em dívida estará informado acerca do que pode ou não fazer, o que, como se sabe, é uma grande mais-valia quando se lida com bancos e empresas do sector financeiro. Hoje em dia boa parte das instituições não cobra amortizações, sobretudo face à crise que assola o país, mas nunca deverá ignorar este facto, devendo confirmá-lo previamente se não desejar surpresas indesejáveis mais tarde;
– Os maiores concessores de crédito tornaram-se exímios na venda dos financiamentos para a compra de residência própria e a certa altura começaram a lançar vários produtos e serviços que ao serem adquiridos juntamente com o crédito à habitação permitiam que fossem oferecidas prestações mais atractivas. No entanto, a abertura de contas, adesão a cartões de crédito, Planos Poupança Reforma (PPR), subscrição de seguros, entre outros, nem sempre é vantajosa e como tal deve implicar um estudo dos prós e contras que representa a longo prazo, ou seja, no decorrer da totalidade do contrato. Por isso, estes produtos e serviços do crédito à habitação merecem ponderação atenta mas não devem “prendê-lo” a um financiamento caso não sejam realmente lucrativos para si;
– As características da Euribor são extremamente importantes, sobretudo o prazo a que está subjacente, o método de revisão e cálculo anual. Embora nem sempre exista o cuidado de se verificarem estes aspectos, a verdade é que as mensalidades podem baixar algumas dezenas de euros quando aqueles são considerados e se conseguem negociar da forma menos penalizadora, o que naturalmente implica paciência, vontade negocial e conhecimento no que concerne a este indexante fundamental do crédito à habitação;
– O período de cálculo dos juros é outro dos elementos que se pode tentar alterar para diminuir um pouco a consequência das prestações no seu orçamento. Convém neste particular fazer referência às alternativas para calcular os juros – diária ou mensalmente – e ao facto de que esta última opção comporta maiores vantagens para o cliente, pois a instabilidade dos mercados financeiros tem levado a constantes alterações consecutivas que acabam por beneficiar (ou melhor, prejudicar menos) quando o cálculo é realizado mediante os valores de todos os dias desse mês e apresentado sob a forma de média;
– Verifique a constância dos seguros e o seu custo total nas prestações. Esta tarefa não se poderá realizar automaticamente porque nem sempre se encontra especificada na facturação enviada para casa, embora seja suficiente a consulta dos termos do contrato ou questionar directamente o responsável pela gestão do seu crédito, solicitando que lhe seja facultado a explicação desta importante dúvida. Portanto, seja pro-activo e fique esclarecido no que respeita a este tópico, procurando de seguida, na medida do possível, reduzir o seu papel nas contas finais.
– Ainda no âmbito dos custos associados, o peso do spread tem de ser considerado e nunca poderá ser deixado ao acaso ou sequer subestimado. Há quem o dê por um dado adquirido mas é inteiramente possível negociar a percentagem do spread a fim de se obter uma taxa atractiva. Tudo dependerá da sua insistência em procurar as melhores ofertas e da margem de manobra permitida pelo credor escolhido, o que não deve estar fechado enquanto não ponderar todos os aspectos supra-mencionados.
Tags: crédito habitação, euribor, spread

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