O presente estado débil da economia complicou o orçamento de muitas pessoas, que se vêm cada vez mais sufocadas por apertos económicos difíceis de ultrapassar. Os salários mantêm-se na maioria dos casos, mas tudo o resto aumenta, numa desproporcional variação entre o que se ganha e se paga pelos produtos e serviços. A diferença é tão grande, que levou o nível de endividamento do país tem atingido valores recordes, que são de realçar pela negativa.

Embora a instabilidade permaneça no mercado, não só financeiro (bolsa), mas sobretudo na economia real (famílias e empresas), há determinadas despesas que não podem ser pura e simplesmente eliminadas, mas é exequível torná-las mais contidas. Dentro destas, incluem-se os custos com a habitação, algo que não é possível “riscar” do orçamento, o que se pode fazer é reduzir o custo deste gasto elementar, nomeadamente através do aluguer de uma casa, em detrimento da sua aquisição. Nesse sentido, segue-se um conjunto de desvantagens associadas à compra de uma habitação, que funcionam igualmente como motivos para arrendar.

– O proprietário do imóvel é o único responsável por este, ao contrário do que acontece no aluguer, em que o senhorio tem esta função. No caso de adquirir uma casa, todas e quaisquer modificações, anexações, ampliações e arranjos são da exclusiva responsabilidade de quem a comprou, sendo que poderá beneficiar de ajuda quando possui seguro, em caso de acidente, ou de crédito, se pretender remodelar a habitação e espaços envolventes;

– As alterações de fachadas não são permitidas, e todas as modificações de média e grande envergadura carecem de autorização das entidades camarárias para que possam ser realizadas. Mesmo algumas mais pequenas são apenas legais quando têm parecer daquele organismo de poder local. De qualquer forma, sempre que solicitados os serviços da Câmara, ser-lhe-á cobrada uma taxa pela apreciação e possível emissão de licença, se esta for necessária;

– O seguro multirriscos do imóvel e de vida do titular do crédito – quando este foi contraído para comprar a habitação – são obrigatórios e são custeados por aquele. Por isso, esta é mais uma despesa a acrescentar à lista de gastos inerentes à aquisição de casa própria, dos quais não é possível escapar. A melhor alternativa para contornar esta situação é procurar um crédito à habitação que já inclua mais-valias e/ou descontos em um ou nos dois seguros imprescindíveis;

– Ao partir para a “aventura” de comprar uma casa, existem uma série de custos associados ao início e conclusão do processo de legalização da transacção, particularmente com os serviços do notário. Aqui há que contar com um valor significativo, que varia muito consoante o imóvel, localização, data de construção, etc. É preferível informa-se destes custos previamente, pois assim já sabe quanto mais tem de pagar devido a esta operação.

As quatro desvantagens referidas são aquelas que mais transtornos podem causar para quem adquire casa própria, mas podem facilmente ser superadas pelo desejo e conveniências de ter um espaço só nosso. O que se deve ponderar são os inconvenientes, que neste caso são “apenas” monetários e de responsabilidade, com as mais-valias, que se prendem essencialmente com a autonomia e certeza de que se está a pagar por algo que é nosso, contrariamente à renda de uma habitação, que será sempre do senhorio. A decisão final deve ser tomada precisamente com o balanceamento do que há de positivo e negativo, com vista a uma conclusão do lado para que mais pendem os critérios.

 

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