Crédito habitação cada vez mais dificil

Conseguir um empréstimo à habitação foi mais difícil no terceiro trimestre, com as instituições financeiras a aumentarem os “spreads” e a reduzirem o valor de financiamento.

Estas conclusões constam do inquérito realizado pelo Banco de Portugal à banca. As exigências às empresas também aumentaram e as estimativas do próprio sector não apontam para reduções nas restrições. Ao contrário do que se passa na Zona Euro.

O inquérito de Outubro do Banco de Portugal revela que “os critérios de concessão de empréstimos ao sector privado não financeiro tornaram-se mais restritivos no terceiro trimestre de 2009″. Isto traduziu-se em “aumento dos ‘spreads’ aplicados” no crédito à habitação e “na diminuição do rácio entre o valor do empréstimo e o valor da garantia”. Em alguns casos, verificou-se também um aumento das comissões cobradas aos clientes, de acordo com a mesma fonte.

Este aumento das restrições no acesso ao crédito em Portugal contrasta com o alívio verificado na Zona Euro. O Banco Central Europeu (BCE) revelou, ontem, que as restrições no acesso ao crédito para a compra de casa no espaço da moeda única diminuíram no terceiro trimestre do ano, numa altura em que as expectativas relativas ao risco e ao mercado imobiliário melhoraram.

As exigências feitas pela banca nacional às empresas também aumentaram, o que se traduziu em “spreads” mais altos, “redução da maturidade dos empréstimos concedidos, uma maior exigência de garantias, um aumento das comissões e outros encargos não relacionados com a taxa de juro”, bem como “uma maior exigência das condições contratuais”, revela o mesmo inquérito. Mais uma vez em contraciclo com o que se passou na Zona Euro.

Neste contexto, houve uma menor procura de financiamento por parte quer das empresas, quer das famílias em Portugal.

Para o quarto trimestre deste ano, o cenário não deverá mudar. Ou seja, a banca não deverá dificultar mais o acesso ao crédito, mas também não deverá aliviar as condições exigidas. Ao contrário do que se prevê que aconteça um pouco por toda a Zona Euro, onde as condições deverão melhorar e a procura de crédito deve aumentar, tanto nas empresas, como nas famílias.

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