Crédito à habitação: cinco estratégias de poupança
Set 17, 2011 informações
O “estado de coisas” do país é conhecido e não vale a pena esmiuçar um assunto sobre o qual já estamos fartos de ouvir falar desde o ano passado. Os nossos políticos andam há várias décadas a gastar acima das possibilidades da nação e agora chegou a altura de pagar a factura, que mais uma vez tem de ser liquidada à custa dos que menos podem, enquanto os culpados escapam impunes (por enquanto, esperamos). No entanto, o que interessa neste momento é encontrar formas de dar a volta à presente situação difícil e aprender com os erros para estarmos protegidos da má gestão dos dinheiros públicos.
Um dos casos de maior preocupação actualmente é sem dúvida a prestação da casa, uma “necessidade” que foi sendo concedida com uma cautela insuficiente no passado e que hoje em dia viu a crise da dívida soberana portuguesa causar gravíssimos problemas aos detentores de créditos à habitação em solo nacional. O resultado foi o encarecimento – em muitos casos insuportável – das mensalidades, em algumas circunstâncias agravadas pelo desemprego e a subida recorde do custo de vida em território lusitano.
Seja qual for o cenário em que se encontre fique descansado. Existe (quase) sempre uma forma de ultrapassar os obstáculos e serem honrados os compromissos para com o credor. Para que tal se alcance basta empenho da sua parte e, claro, flexibilidade do financiador, algo que o estado caótico do mercado veio exigir e não era propriamente habitual no passado. Nesse sentido, enumeramos de seguida cinco dicas que lhe podem permitir poupar na prestação da sua casa e oferecerem um fôlego extra – e talvez necessário – ao seu orçamento mensal daqui para a frente.
– Procure não ter mensalidades em atraso porque isso lhe vai amputar as hipóteses de poder vir a conseguir prestações mais baixas no futuro. É essencial que o montante pedido e as características do empréstimo estejam adequados aos seus rendimentos, não devendo, em situação nenhuma, ultrapassar 30 a 35 do seu orçamento mensal, sobretudo quando se trata de um crédito indexado a taxa variável (o mais comum em Portugal), pois em momentos de instabilidade como os que vivemos actualmente isso vai provocar oscilações imprevisíveis da quantia a pagar ao final do mês;
– Renegociar as condições do crédito à habitação é outro dos caminhos rumo ao objectivo final, a diminuição das prestações da casa. Embora determinadas empresas se recusem pura e simplesmente a que tal seja realizado, uma esmagadora maioria das entidades concessoras deste género de financiamentos em solo nacional já percebeu que esta é uma boa estratégia para não ter malparado excessivo em carteira. Por isso, dirija-se aos balcões do seu credor e exponha-lhe o seu caso, transmitindo-lhe as dificuldades pelas quais esteja a passar. Certamente que não lhe será negada uma alternativa para resolver a questão, até porque essa é a melhor solução para ambas as partes;
– Mudar de credor também deve ser uma opção e por vezes acaba mesmo por salvar o orçamento de muitos portugueses. Se o financiador com o qual tem contrato não ceder e se negar a proporcionar condições que lhe permitam continuar a honrar o acordo, não hesite e procure outra entidade que esteja disposta a assumir o crédito e tornar-se, desta forma, o seu credor desse momento em diante. Considere bem esta hipótese, calcule os valores que implicam a mudança e decida tendo em conta as novas condições que lhe sejam apresentadas, incluindo todos os custos que esta alteração implicará;
– A consolidação de créditos não deverá estar totalmente fora de questão, embora esta não seja uma possibilidade para todos os detentores de crédito à habitação. É certo que o normal é que o mesmo cliente tenha vários financiamentos a decorrerem em simultâneo mas nem sempre existe a hipótese de os unir numa única prestação. No entanto, estude o seu caso, proponha essa situação ao seu banco ou a uma entidade credível que lhe dê essa oportunidade e avalie se é indicada para si. Mais uma vez, não se esqueça de pesar bem todos os prós e contras de o efectuar e, como é óbvio, determinar quanto é que lhe irá custar essa consolidação dos créditos que possui. Com uma conjugação adequada de ginástica mental e sorte pode ser que encontre o caminho certo rumo a uns meses com menos preocupações e mais alguns euros na sua conta bancária;
– Uma técnica igualmente útil de ver a sua prestação descer consiste em amortizar tanto quanto conseguir, se e quando puder. Ou seja, na eventualidade de ter um fôlego extra no seu orçamento não pense logo em gastá-lo naquilo que não é necessário. Considere a hipótese de utilizar essa verba adicional para amortizar o seu crédito à habitação e economizar alguns euros em juros com essa operação. Mas antes disso não se esqueça de aferir se essa é uma opção vantajosa para si, pois embora a maioria dos empréstimos para a compra de casa própria incluam a possibilidade de amortização, tal não se verifica em todos. Por isso, evite cometer o erro de fazer um esforço excepcional e não ganhar nada com esse empenho de bom cliente. Leia o contrato atentamente e confira se lhe compensa saldar essa quantia suplementar ou se mais vale guardá-la para acautelar uma emergência que possa eventualmente surgir no futuro.
Tags: amortizar, Consolidação, poupar

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