A culpa da falta de poder de compra dos portugueses é imputada à crise, mas a verdade não poderia estar mais longe. A real justificação é o receio dos investidores que se recusam a financiar a economia de um país (desgovernado) que em cinco anos duplicou o endividamento e há várias décadas vive com um nível de vida bastante acima daquilo que produz.

Não é fácil aceitar os factos. Porém, o momento actual exige que se enfrentem os erros gravíssimos cometidos pelos sucessivos governos e os dirigentes do sector económico-financeiro no mais curto espaço de tempo possível ou o recuo do progresso da nação será inevitável e implicará largos anos para voltar ao “estado de coisas” anterior. Esta é a resposta para inverter a situação. É conhecida e basta agora aplicá-la com todos os esforços que lhe estão associados. Falta agora um pulso forte na condução do “barco”.

São os motivos supra-mencionados que estão por detrás da queda brusca no crédito à habitação, um segmento que registou em Janeiro o pior desempenho (587 milhões de euros) desde o período homólogo de 2009, mês em que todas as entidades do sector concederam perto de 555 milhões de euros para este tipo de financiamentos. Todavia, o ano de 2011 inicia-se com a confirmação das expectativas mais negras, regressando a descida dos valores absolutos “oferecidos” e a quebra acentuada de lucros dos bancos com o aumento exponencial do malparado.

Face aos números revelados esta semana pelo Banco de Portugal (BdP) no seu Boletim Estatístico, as instituições de concessão de crédito devem voltar a restringir a carteira de clientes, sobretudo após o anúncio de que os contratos de famílias e empresas com prestações em dívida atingiram um novo máximo de nove milhões de euros em Janeiro, colocando assim fim à tendência de recuo deste indicador que se mantinha há 31 dias consecutivos e aparentemente dava bons sinais de abrandamento.

Num futuro próximo, os especialistas preveem que o incumprimento mantenha a subida, tanto pela instabilidade política como pelas percentagens recorde do desemprego e a violenta diminuição do poder económico das classes média e média baixa, cada vez mais – e paradoxalmente – lesadas por sucessivas (e ineficazes) medidas de austeridade, pela drástica escalada da carga fiscal e consequente deterioração dos seus rendimentos.

 

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