Crédito à habitação atinge máximo do ano

Quem possui actualmente algum tipo de financiamento bancário sobre a sua casa verá o seu rendimento mensal reduzido ainda mais. Depois de cortes nos salários, aumento dos impostos e do custo de vida em geral, os juros cobrados no crédito à habitação bateram novo recorde, tendo atingido o valor mais elevado dos últimos 12 meses.

As taxas indexadas ao financiamento de habitação própria atingiram 1.944 por cento no mês passado, revela o Instituto Nacional de Estatística (INE), confirmando-se a subida daquelas há 120 dias consecutivos um dos mais permanentes agravamentos na corrente década em Portugal, numa altura em que os resultados de outros países têm vindo a recuperar, à excepção das economias em queda, nas quais se inclui a nacional.

Na sequência do incremento de 0.049 pontos em Setembro, o avanço do mês 10 do ano foi superior em 0.006 pontos, actualizando-se em mais 0.055 por cento. Em termos práticos, a taxa de juro implícita aplicada pelos bancos ficou em 2.522 pontos, ou seja, uma subida de 0.196 por cento relativamente ao boletim anterior do INE e concernente aos contratos assinados nos últimos três meses.

Quanto aos acordos celebrados nos últimos seis a 12 meses, o aumento da taxa imposta foi igualmente pesada, tendo sido instituída, respectivamente, uma em 2.306 pontos e 2.186, duas das taxas mais elevadas alguma vez colectadas pelas diversas instituições financiadoras a operar em Portugal desde que há registos deste índice.

O teto máximo das taxas implícitas igualou assim o verificado em Dezembro de 2009, período em que atingiu 1.987 por cento e “asfixiou” os orçamentos familiares de muitos portugueses, algo que ganha novos contornos de gravidade na actual conjuntura de impostos acrescidos e rendimentos diminutos para compensar os gastos essenciais. A maior consequência reflectiu-se na “popular” Euribor e fez disparar os custos de quem teve de contrair crédito para conseguir adquirir casa própria.

Segundo o estudo do INE, cada cliente teve um acréscimo de dois euros só em Outubro, com uma média de mensalidade agora situada em 255 euros, um custo adicional que nem todos os requerentes podem suportar, como se corrobora através do malparado no crédito à habitação, presentemente estável em 1.943 milhões de euros.

Do outro lado do acordo estão as instituições financeiras que passaram a ter prejuízos de 24 euros/cliente relativamente a Setembro, tendo o seu capital total em dívida chegado aos 56.777 euros. Este sinal do mercado tem sido levado a sério pelos credores e por isso mesmo estão cada vez mais restritos os critérios de acesso ao financiamento em geral, mas sobretudo o crédito ao consumo e à habitação, cuja atribuição tem vindo a diminuir gradualmente, algo que já não se verificava há praticamente oito meses.

Deixe uma resposta

Fechar
E-mail It