Arrendar ou comprar casa? Aparentemente, essa decisão não é fácil. Contudo, há “ses” a ter em conta na nossa tomada de decisão. Arrendar casa significa que aquele espaço a que vamos chamar de “lar doce lar” vai sê-lo de forma provisória. Aquela habitação não vai ser nossa, de fato, enquanto for “arrendada” (ou alugada). É-o temporariamente, enquanto pagarmos o espaço a troco de uma determinada verba acordada entre nós e o seu legítimo proprietário.

Comprar casa seria o ideal? Efetivamente, neste momento, o mercado imobiliário coloca à nossa disposição, muitas vezes, mediante leilão, casas a excelente preço (provenientes de situações de incumprimento da prestação mensal aos bancos, o tal crédito malparado). No entanto, até mesmo nos leilões, o preço dos imóveis também está sujeito a disparar acima dos seu valor real. Uma “pechincha” pode até sair bastante cara …

Que razões deveremos ponderar a fim de tomarmos como melhor decisão o arrendar de uma casa, ao invés de a comprar?

1 – Imagine que encontra um espaço habitacional ideal, a baixo preço (a preço simbólico), para que a casa esteja sempre ocupada e aprazível? É raro dispor de uma oportunidade destas, mas, por vezes, acontece… E por que não aproveitar? Afinal:

a) lucra o proprietário que se sente satisfeito por ver aquele espaço ganhar vida;

b) ganha você, que paga pouco e poupa, para um dia mais tarde, talvez, comprar a sua própria casa?

2 – Se tem uma profissão itinerante, não vai encontrar a disponibilidade física nem psicológica para se estabelecer a 300 quilómetros do local de trabalho e ir pernoitar a casa … Hoje, aqui, amanhã acolá, depois de amanhã, sabe-se lá bem onde …

3 – Chegado a uma cidade nova, tem de se instalar necessariamente. É aí o seu local de trabalho. Já terá de se adaptar a um novo local, mesmo que aí fique por longos anos, ainda irá ter longas e fundadas preocupações com burocracias e com o problema omnipresente do financiamento, caso não tenha liquidez suficiente (o que não é nada raro acontecer). Ao procurar uma casa para arrendar, já estará tudo prontinho à sua espera. É “o pronto-a-habitar”: ver, gostar, mudar , habitar e … pagar!

4 – Aí, na “sua” casa nova, se houver uma avaria, uma reparação a fazer, algum problema com a sua manutenção, para além de problemas com a gestão do condomínio (se se tratar de um imóvel com um espaço comum a dividir pela vizinhança), essa preocupação não é sua. Há que remetê-la ao seu proprietário, que deverá participar nas reuniões do condomínio, para além de participar nas despesas de manutenção do imóvel. Porque você é apenas o inquilino.

5 – Quando arrenda uma habitação, está sujeito ao pagamento daquela mensalidade, que é fixa e esperada. Caso comprasse o imóvel, para além de fazer um investimento financeiro determinado, teria de contar, também, com despesas inesperadas e ocasionais.

6 – Ao arrendar, não está a investir esse dinheiro todo na compra de uma casa. Isso significa que poupará, podendo direcionar o que poupa nos seus próprios projetos pessoais ou profissionais. Se não investir aí esse dinheiro, poderá tê-lo a render em aplicações a prazo.

7 – Caso, por algum motivo de força maior, decidir que aquela casa não é a ideal para si, poderá mudar de habitação mais facilmente, sem tantas burocracias. Imagine o que é ter de viver condicionado a uma má vizinhança, apesar da casa ser “a casa” com que sempre sonhou? Ou descobrir que, afinal, a casa não é tão boa como parecia?

8 – Imagine que faz a aquisição de uma belíssima vivenda e se, porque a região é sísmica, houver um desastre natural daquela ordem e perder tudo? O panorama também se aplica a locais que, mesmo não estando expostos a problemas de ordem natural ou humana, sofram um qualquer cataclismo (ciclone, inundação, erupção vulcânica, …). Numa casa alugada, apenas perde o recheio.

9 – Ao contrair um crédito habitação fica sujeito às leis do mercado imobiliário, isto é, ficará escravo da variação da taxa de juro a que as instituições de crédito sujeitam os seus clientes. Durante muitos anos terá de pagar a sua casa, até várias vezes o seu valor original.

10 – A casa é um bem imóvel. A vida do cidadão, hoje em dia, não se confina ao espaço onde nasceram, cresceram e viveram os seus pais. De cidadãos portugueses passámos a cidadãos europeus e daí a cidadãos do mundo … e o caminho faz-se a andar …

 

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